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Seja Você Mesmo a Sua Zona de Conforto

Você está ali, de boa, curtindo a sua rotina até que alguém pisa na bola com você e... você sai da sua zona de conforto. Agradeça essa pessoa (depois das devidas reparações, claro). O pior mesmo é que, mesmo depois daquele insight maravilhoso que você tirou de toda essa situação você percebe que não só saiu da sua zona de conforto como também se encontrou consigo mesmo.


Estar em um relacionamento é tão difícil quanto ter que lidar com os parentes, que você não tem obrigação nenhum de aturar. Parentes normalmente são aquelas pessoas de conceitos antigos, que não abrem a cabeça para novas opiniões e que defendem a intervenção militar no Brasil (caso real e tio devidamente bloqueado na rede social do “F”). E então você vai se deixando levar. A pessoa é fofa aqui e ali, você gosta de estar com ela, você é de câncer (se ferrou já no nascimento), você vai criando uma rotina para ter o maior número de horas com ela, você convive mais com ela do que com os seus familiares e... BOOM! Reciprocidade é uma agulha e a vida é um grande palheiro.

Você se aborrece, você toma litros de chá de camomila, mas a única coisa que está errada aqui é o seu modo de agir.  Os próximos dois dias que se passam você fala apenas as coisas básicas como “bom dia”, “vou almoçar” e “boa noite” e todo o tempo existente entre uma frase e um gole de chá está ali disponível para você, inteiramente para você. Aquela série que você não assistiu por causa daquele papo interessante com a pessoa, assista. Aquele filme indicado ao Oscar que você estava esperando para ver, veja! Hoje. AGORA! E descubra como ele é maravilhoso. Se permita perceber como você não estava dando espaço para você em sua própria vida e perceba como isso te fez falta.

Perceba como o que te incomodava no outro era justamente que ele tinha esse espaço e utilizava. O delay entre a sua mensagem e a resposta dele que te incomodava, era ele aproveitando o próprio tempo. O filme que ele viu primeiro e você estava esperando para ver com ele: aproveitamento de tempo. Todas as saídas com os seus amigos depois da aula que você rejeitou: trouxa. Porque na vida real ninguém vai fazer isso por você e ninguém é obrigado a fazer.

Pessoas chegam e pessoas somes (cliché). Mudamos nossa zona de conforto de endereço, mas continuamos nela e talvez não aja nenhum problema. Porém eu digo uma coisa, nos meus dois dias de solidão e tristeza eu descobri um segredo: de agora em diante que o meu tempo comigo mesmo seja a minha zona de conforto.

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