Eu nunca fiquei em recuperação. Eu nunca entrei em filme que não devia. Eu nunca desejei matar alguém. Eu nunca chorei vendo filmes. Eu nunca chorei de raiva. Eu nunca chorei de alegria. Eu nunca desejei uma menina. Eu nunca me apaixonei. Eu nunca beijei. Eu nunca bati em alguém. Eu nunca quis ter um monte de amigos. Eu nunca desejei fugir de mim mesmo. Eu nunca fui num show de rock. Eu nunca dancei a macarena. Eu nunca gostei de funk. Eu nunca quis me achar bonito. Eu nunca quis ser bonito. Eu nunca fui gordo. Eu nunca andei de bicicleta. Eu nunca corri na chuva. Eu nunca amei a minha mãe. Eu nunca cheguei em casa tarde. Eu nunca menti. Eu nunca falei palavrão. Eu nunca fiz xixi na cama. Eu nunca joguei videogame. Eu nunca briguei com a minha irmã. Eu nunca quis morrer. Eu nunca quis simplesmente não existir. Eu nunca quis ir numa boate. Eu nunca colei na prova. Eu nunca quis ter nascido em outro país. Eu nunca quis ser consumista por um dia. Eu nunca quis fazer faculdade. Eu nunca quis morar em outro estado. Eu nunca quis participar das gincanas da TV. Eu nunca quis aprender a tocar violão. Eu nunca quis cantar. Eu nunca quis tocar piano. Eu nunca quis que amigos que moram longe morassem perto. Eu nunca tive medo de escuro. Eu nunca tive medo de palhaço. Eu nunca tive medo de ser órfão. Eu nunca tive medo de perder alguém. Eu nunca tive medo de ser assaltado. Eu nunca fui assaltado duas vezes. Eu nunca tive medo. Nunca.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
E toda ilusão cai, mais um vez
Sabe a sensação de “sim, fiz a escolha certa e agora tudo voltará ao normal”? É incrível, eu sei. Me senti assim final de 2008 e começo de 2009. Porque? Passado em universidade pública, sem depender de pai para pagar a mensalidade dos seus estudos, certa independência e certeza de que um dia você acaba. Não contei com a responsabilidade que batia a minha porta, afinal... Ainda era um adolescente de 19 anos que não tinha noção do que era estar entrando na vida adulta. Na verdade tenho medo da vida adulta, não sei se estou preparado mesmo sabendo que tenho que estar desde já. O fato é que todos os meus planos foras por água abaixo quando não consegui entrar de primeira e depois disso toda a minha vida parecia fora dos trilhos.
Não me achava, não fazia a escolha certa, não sabia do que gostava ou deixava de gostar. E passei. Passei para um curso que eu jurava que era o “meu” curso e fui para o primeiro dia de aula mais feliz que criança em parque da Disney World (outro sonho que nunca tive). Não vou me ater aos detalhes bons, que são poucos, mas existem. Vou me ater ao que realmente importa, os fatores da desilusão.
É assim, nunca fui chegado a pessoas que se acham demais. Talvez isso vá contra a minha falta de auto-estima, talvez fira o meu desejo de ter algum amor por mim, apenas ao desejo. Mas convivo perfeitamente com pessoas assim. O problema é quando o dinheiro é a estima das pessoas, quando te olham “de cima” porque você não tem o netbook próprio e precisa pegar emprestado de alguém porque o professor não levou o dele. Porque você não veste jeans da Calvin Klein, camisa estilosa da Calvin Klein, cueca da Calvin Klein e (PÁSMEN!) sandálias da Calvin Klein (que me parece uma Havaina com a logomarca da CK colada em cima do nome). Ou porque você não tem um Adidas Star e nem tem dinheiro para comprar um. Ou porque você vai de cabelo bagunçado, cara de sono e bermuda e chinelão velho. Sim pessoas assim me irritam e fazem parte de 90% da minha sala. Outro fator são as matérias/professores. Ô, troço chato! Eu quero criar, eu quero ir pra campo, eu quero prática. Não quero “clássicos da administração” que não mudam em nada a minha vida pessoal e nem acadêmica.
Antes de dormir estava pensando porque escolhi administração por tanto tempo como o curso certo para mim e quando finalmente consigo vejo que apenas alimentei mais uma ilusão na minha vida. Mais uma entre tantas outras que já passaram e, para meu medo, ainda virão. Me pergunto se a minha vida não é apenas uma ilusão. Me pergunto se tudo o que tenho, realmente tenho. Se tudo que quero, realmente quero. E se tudo que acho que é, realmente é. Dou créditos, sim, a filosofia. Essa sim é uma matéria digna das minhas horas de estudos, mesmo elas não sendo muitas.
Desabafei, ufa!
That’s all, folks.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Dia de Pescaria
tentavam lhe tirar o objeto brilhante. Caiu. Caiu na areia fria das dezessete horas enquanto giravam ao seu redor grandes pernas flexíveis e que falavam coisas que ele não entendia. Se entregou, já podia ver a luz no fim do túnel, respirava pesado e já não conseguia mais oxigênio suficiente. Seus olhos arregalados pediam socorro, mas ninguém os notava. Clamava por pena. Estava indo junto com a morte, não enxergava mais nada. Desejava voltar... Então sentiu, sentiu a água bater-lhe no corpo novamente, uma energia boa passando pelo seu corpo e respirou. Tudo voltou ao normal. As pernas iam embora e mais um dia de pesca havia acabado, improdutivo. Finalmente.
domingo, 11 de outubro de 2009
O Menino
Chegou o menino, trazendo consigo toda a sua bagagem. Chegou o menino, carregando nas costas a cruz que lhe cabe trazer. Chegou um menino, de cabeça baixa sem olhar ao redor e sem ser percebido pelos outros. Chegou um menino, chegou se sentou numa cadeira vazia qualquer. Sentou um menino, e viu os anos se passarem enquanto estava ali sentado sendo preparado para a vida que nunca pediu nem quis. Coisa como egoísmo, avareza, egocentrismo, esnobação e tantas outras coisas modernas que dá medo saber. Mais fácil seria se tudo na vida fosse como queríamos e não como nos impõem. Saiu um homem, de cabeça baixa. Agora não por timidez, mas por frustração por não ter realizado nenhum dos seus sonhos, mas sim os sonhos dos outros, da sociedade.
sábado, 26 de setembro de 2009
Exatamente NADA!
Agora vamos falar de vida pessoal. Ganhei um DVD do “The Dark Knight” do @cinepop e que chega Dida 28 (segunda). Nem acreditei que ganhei alguma coisa em promoção, EU! HAHA!
Eu estava sentado num banco da faculdade, olhando as pessoas que passavam, iam e voltavam de seus afazeres e pensei: “O estranho aqui não sou eu, são eles!”. Mas depois pensando melhor acho que talvez eu seja o estranho para eles. Tenho cabelo nomsense/desarrumado, uso camisas de banda, bermudão, chinelo, calça quadricula, mochila “colorida”, óculos geek, tênis grandes, gosto de tudo que eles abominam, não sigo regrinhas, não tenho dinheiro, não tenho família com empresas de sucesso, não me acho melhor que os outros, sou tímido, não uso roupa da moda, não ligo para moda, não ligo para quanto dinheiro você tem a mais que eu, não quero ir para a balada mais comentada da faculdade, não quero usar terno e gravata todos os dias que for trabalhar, não sinto prazer em me vestir assim para parecer importante, não sou popular e nem falo com os mais populares. É, talvez não sejam eles os estranhos, talvez seja eu o estranho e quer saber? Mesmo? Eu A-DO-RO ser o estranho/diferente/nomsense ou seja lá como eles queiram me rotular. E agora você se pergunta: “Que diabos você está fazendo nesse curso?”. E eu respondo: Estou ganhando um diploma. Não sei, na verdade, o que será da minha vida quando me formar, se vou seguir isso ou não, mas sei que estou num dos cursos que não vai me transformar num profissional frustado (o meu maior medo).
Eu volto por aqui quando o tédio bater à porta de novo. Acreditem, não leva muito tempo (:
Me sigam no twitter, estou sempre por lá! (Link na lateral desse site, okey?)
C-ya, folks!
Thiago M., 20 anos, mora em Recife, PE. Estudante de administração, mas pensa em fazer publicidade, cinema e desing (oi?). Não tem sonhos, ou talvez tenha tantos que não consegue mais identificá-los.
